O aniversário do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), celebrado em 13 de julho, representa um divisor de águas na história da proteção social no Brasil e é o pilar central de sustentação da nossa instituição. No âmbito do Terceiro Setor, compreendemos que a existência do ECA não é apenas uma formalidade jurídica, mas a base de uma revolução ética que substituiu a antiga doutrina da situação irregular pela doutrina da proteção integral. Para nós, trabalhar com crianças e adolescentes não é um exercício de assistencialismo paliativo; é uma prática técnica e política fundamentada na garantia de direitos fundamentais e na transformação social profunda.

No cotidiano da nossa organização, o ECA é o instrumento técnico que valida e direciona todas as nossas intervenções. É através dele que fundamentamos nossas metodologias de acolhimento, educação e convivência comunitária. Nossas equipes multidisciplinares utilizam as diretrizes do Estatuto para articular o Sistema de Garantia de Direitos, conectando nossas ações aos Conselhos Tutelares, ao Ministério Público e às políticas de assistência e saúde. O papel técnico da nossa instituição é assegurar que a “prioridade absoluta” prevista em lei não seja apenas uma frase de efeito, mas uma realidade mensurável no acesso à escola, no combate à violência doméstica e na promoção de um ambiente seguro para o desenvolvimento pleno de cada jovem atendido.

Enfrentamos desafios imensos na realidade social contemporânea. O cenário de desigualdade, agravado por crises econômicas, coloca em risco conquistas históricas e tenta retroceder à lógica da punição em vez da educação e proteção. A violação de direitos, o trabalho infantil e a evasão escolar são sintomas de uma sociedade que ainda falha em proteger seus cidadãos mais jovens. Diante disso, nossa instituição atua como um agente de resistência e monitoramento, assegurando que o ECA seja cumprido integralmente e que as crianças não sejam vítimas da omissão do Estado ou da sociedade.

Ao celebrarmos mais um ano deste importante Estatuto, reafirmamos o compromisso inabalável da nossa organização com a causa da infância e juventude. Entendemos que gerar cidadania começa pelo respeito à fase de desenvolvimento de cada indivíduo. Continuaremos investindo em programas que fortaleçam a autonomia e o protagonismo juvenil, acreditando que uma sociedade que cuida de suas crianças é uma sociedade que investe na sua própria sobrevivência ética. Agradecemos a cada doador e parceiro que viabiliza nossas ações; sua contribuição é o que transforma o texto da lei em dignidade real. Juntos, honramos o passado de lutas pelo ECA e construímos um futuro onde cada criança possa, de fato, exercer seu direito de sonhar e realizar.