O Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, é uma data que carrega um significado profundo para a nossa instituição, indo muito além da homenagem familiar. No âmbito do Terceiro Setor, compreendemos esta data como uma oportunidade vital para discutir o protagonismo dos idosos na estrutura social contemporânea. Para nós, o cuidado e a valorização dos avós não se baseiam em um assistencialismo de caridade, mas em uma perspectiva de direitos, ética e reconhecimento da contribuição histórica e contínua que essas pessoas oferecem à sociedade. O envelhecimento deve ser encarado como uma conquista da civilização, e não como um peso, exigindo políticas e ações que garantam a autonomia e a dignidade.

No cotidiano da nossa organização, os avós desempenham um papel técnico e social estratégico. Em muitas das comunidades onde atuamos, observamos o fenômeno das “famílias multigeracionais”, onde os avós são, frequentemente, os chefes de família e os principais responsáveis pela transmissão de valores e pela segurança alimentar dos netos. Nosso trabalho técnico consiste em oferecer suporte a esses idosos, garantindo que o seu papel de cuidadores não resulte em sobrecarga ou negligência com a sua própria saúde. Atuamos na mediação de conflitos geracionais, na orientação sobre direitos previdenciários e assistenciais, e na promoção de espaços de convivência que combatam o isolamento. O fortalecimento do papel dos avós é, portanto, uma estratégia de fortalecimento da própria rede de proteção à criança e ao adolescente.

Os desafios da realidade social atual são complexos. O preconceito etário (etarismo) e a invisibilidade social muitas vezes relegam os idosos a um papel passivo, ignorando sua capacidade de aprendizado e intervenção. Além disso, enfrentamos o desafio de proteger os avós contra abusos financeiros e psicológicos, situações que a nossa instituição monitora de perto em parceria com os órgãos de defesa. A cidadania gera-se quando o idoso é reconhecido como um sujeito ativo, cujos direitos à saúde, ao lazer e à educação devem ser preservados integralmente. Quando investimos no bem-estar dos avós, estamos investindo na estabilidade de todo o núcleo familiar.

Ao celebrarmos este 26 de julho, reafirmamos o compromisso institucional da nossa organização com o envelhecimento digno. Seguiremos desenvolvendo projetos que integrem as gerações e que valorizem a memória e a experiência dos mais velhos como ativos fundamentais para a transformação social. Agradecemos imensamente aos parceiros e doadores que viabilizam nossas ações voltadas à pessoa idosa, permitindo que o legado de nossos avós seja respeitado e continuado. Juntos, construímos uma sociedade que não apenas vive mais, mas que vive com qualidade, propósito e pleno exercício de seus direitos.